Projeto de investigadores do Técnico aplica inteligência artificial e robótica à sustentabilidade agrícola na estepe alentejana
Iniciativa liderada pelo IdMEC integra sensores, robótica autónoma e IA para apoiar a produtividade agrícola e a conservação da biodiversidade em Castro Verde.

Sensores, robótica autónoma e Inteligência Artificial (IA) estão a ser aplicados na gestão agrícola da estepe alentejana através do projeto SiARA – Sustentabilidade, Inteligência Artificial (IA) e Robótica na estepe Alentejana, liderado pelo Instituto de Engenharia Mecânica (IdMEC), unidade de investigação associada ao Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa. A iniciativa tem como objetivo apoiar a gestão sustentável de sistemas agroecológicos na Reserva da Biosfera da UNESCO de Castro Verde, conciliando produtividade agrícola e conservação da biodiversidade.
“O projeto propõe uma abordagem inovadora à navegação autónoma em ambientes não estruturados, baseada na integração de Visual SLAM – uma tecnologia que permite ao robô orientar-se e mapear o espaço em tempo real – com navegação semântica suportada por inteligência artificial”, explica Jorge Martins, docente e investigador do Técnico, que lidera o projeto, desenvolvido com João Reis e Rui Coelho, também investigadores do IdMEC. A partir de imagens recolhidas por câmaras e de sistemas de posicionamento por satélite, o sistema consegue criar mapas tridimensionais do terreno e reconhecer elementos como obstáculos, vegetação ou outros objetos em movimento.
Na prática, esta tecnologia permite acompanhar o estado do terreno e apoiar decisões agrícolas com base em dados recolhidos diretamente no campo. Segundo o investigador, esta integração contribui para “melhorar a capacidade de decisão dos sistemas autónomos”, permitindo adaptar a atuação dos robôs às diferentes condições do terreno. “A utilização de técnicas como Explainable AI – abordagem que permite compreender e interpretar as decisões dos sistemas de inteligência artificial – e aprendizagem por reforço, em articulação com sensores multiespectrais e ambientais, contribui para decisões mais adaptativas e para uma interação mais transparente entre humanos e robôs”, acrescenta.

Contribuindo para “a sustentabilidade da produção agrícola e pecuária” e para o reforço da resiliência dos sistemas produtivos face a desafios ambientais e climáticos, o projeto assenta numa base tecnológica previamente validada no âmbito do Robotics4Farmers do Técnico. Os trabalhos de campo tiveram início em março de 2026, incluindo testes ao robô EVAbot em condições de solos encharcados, no território da Associação de Agricultores do Campo Branco.
O SiARA é desenvolvido em consórcio com o Instituto Politécnico de Beja e a Associação de Agricultores do Campo Branco, assegurando a ligação entre investigação e aplicação no território. A iniciativa foi aprovada no âmbito da 7.ª edição do Programa Promove, da Fundação “la Caixa”, em colaboração com o Banco BPI e em parceria com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
