Estudo de investigadores do Técnico identifica estabilização global no consumo de eletricidade na computação

Estudo científico, publicado hoje na revista “iScience”, analisa evolução entre 1975 e 2022 e aponta ganhos de eficiência como principal fator.

Estudo liderado por Ricardo PintoTiago Domingos e Tânia Sousa, docentes e investigadores do Centro de Ciência e Tecnologia do Ambiente e do Mar (MARETEC), unidade de investigação ao Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, demonstra que o consumo de eletricidade dos equipamentos de computação estabilizou enquanto percentagem do consumo mundial. Segundo os autores do artigo publicado hoje na revista “iScience”, esta estabilização resulta de um aumento massivo da eficiência dos computadores, traduzido na redução da quantidade de eletricidade necessária para realizar cada cálculo.

“Atualmente existem muitas preocupações sobre o consumo de energia da computação, em particular dos centros de dados”, destaca Ricardo Pinto. “Por isso, estudar o que aconteceu é essencial para colocar em perspetiva o que se pode realmente esperar. Este estudo mostra que, no passado recente, os ganhos de eficiência foram suficientes para controlar o consumo de eletricidade”. O trabalho analisa a evolução do setor entre 1975 e 2022 e mostra que, desde 2018, a computação representa cerca de 1,8% do consumo mundial de eletricidade.

O artigo, intitulado Long-run electricity consumption in computing: exponential growth followed by stabilisation due to efficiency gains, distingue-se por analisar de forma sistemática e anual não apenas o consumo de eletricidade, mas também a quantidade de informação processada e a eficiência energética ao longo de várias décadas. “Graças a esta abrangência, este estudo conseguiu pela primeira vez detetar credivelmente este fenómeno de estabilização do consumo de eletricidade”, refere Tiago Domingos.

Ao longo do período analisado, o consumo de eletricidade aumentou cerca de 10 mil vezes. No entanto, a informação processada cresceu aproximadamente  100 mil milhões de vezes e a eficiência registou um aumento na ordem dos 10 milhões de vezes. Este contraste demonstra que, apesar do aumento maciço da capacidade computacional, os “ganhos de eficiência foram suficientes para evitar um crescimento desproporcionado do consumo energético”.

Em colaboração com Paul Brockway, do Sustainability Research Institute da Universidade de Leeds, no Reino Unido, “este estudo insere-se numa linha de investigação que tem analisado, numa perspetiva histórica de longo prazo, a evolução do uso de energia e da eficiência energética em diferentes sectores da sociedade”, conclui Tânia Sousa, permitindo contextualizar as preocupações atuais sobre o futuro do setor.

Tópicos: