Técnico promoveu debate com Comissário Europeu sobre desafios da defesa e do Espaço na Europa

Andrius Kubilius foi convidado a dialogar com estudantes e investigadores do Técnico sobre competências, tecnologia e autonomia europeia num contexto geopolítico em transformação.

Um foguetão desenvolvido por estudantes do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, assinado pelo Comissário Europeu responsável pelas áreas da Defesa e do Espaço, Andrius Kubilius, serviu de pano de fundo simbólico a um debate centrado nos desafios e oportunidades da Europa nos domínios da segurança, da defesa e do Espaço. A sessão teve lugar a 8 de janeiro de 2026, no Técnico Innovation Center powered by Fidelidade, e colocou em diálogo a ambição europeia e o papel do conhecimento científico e tecnológico.

Organizado pelo Técnico, numa parceria entre o Master of Business Engineering (MBE) in Space Systems e o AeroTéc – Núcleo de Estudantes de Engenharia Aeroespacial do Técnico, o encontro reuniu decisores políticos, comunidade académica, investigadores e representantes da indústria. 

Na abertura da sessão, o presidente do Técnico, Rogério Colaço, sublinhou a importância de criar espaços de reflexão informada sobre os desafios do futuro, observando que o “Espaço deixou de ser um setor autónomo para assumir um papel cada vez mais interligado com a defesa”. Neste enquadramento, destacou a missão do Técnico em articular talento, investigação e inovação, promovendo uma ligação entre instituições e áreas do conhecimento que qualificou como uma forma de “diplomacia do conhecimento”.

Tomando a palavra, Andrius Kubilius, descreveu a Europa como estando perante profundas revoluções, sobretudo tecnológicas, apontando a guerra na Ucrânia como um exemplo de como essas mudanças já influenciam a defesa contemporânea. “A Europa precisa de construir a sua independência em matéria de defesa”, afirmou, sublinhando que “estar preparado implica compreender o que hoje significa a defesa moderna”, desde a observação da Terra aos sistemas de satélites e ao domínio do Espaço como infraestrutura estratégica.

O Comissário Europeu destacou o potencial de longo prazo do Espaço e salientou a importância do investimento em programas europeus para estudantes e jovens investigadores. “O fator essencial para o sucesso da Europa assenta na formação de competências”, afirmou, apontando Portugal como exemplo do impacto que o desenvolvimento científico e tecnológico baseado em talento e ambição pode alcançar.

O debate, moderado por Manuel Heitor, professor e investigador do Técnico e antigo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, abriu-se à participação da audiência, trazendo para a conversa perspetivas complementares do meio académico, científico e empresarial com forte ligação à Escola. Sara Casimiro, presidente do núcleo de estudantes AeroTéc, destacou o contributo do espaço para áreas como comunicação, inovação e navegação, sublinhando também a sua relevância para a defesa e questionando o papel que os estudantes podem assumir na esfera pública. A centralidade das novas gerações foi reforçada por Vicente Aroso, do projeto  Lisbon’s New Satellite (LISAT), iniciativa criada em 2024 no Técnico que reúne estudantes de diferentes áreas para o desenvolvimento de CubeSats e a promoção do setor espacial em Portugal, enquanto Teresa Ferreira, da GMV (empresa tecnológica com atividade no setor espacial), apontou o programa GALILEO como um exemplo da capacidade europeia de desenvolver e valorizar tecnologias estratégicas. 

A investigação desenvolvida no Técnico esteve também em destaque. João Paulo Monteiro, docente do Técnico e investigador no Instituto de Sistemas e Robótica (ISR-Lisboa), referiu o ISTSat-1 – satélite construído no Técnico e atualmente em órbita à volta da Terra – como um “investimento de risco com impacto estratégico”, levantando questões sobre oportunidades de financiamento e sobre a articulação dessas oportunidades no contexto académico. Já Zita Martins, professora do Técnico e Vice-Presidente para os Assuntos Internacionais, reforçou a necessidade de “trazer os estudantes para bordo desde cedo” e projetou o debate para o longo prazo, refletindo sobre os caminhos futuros da ciência espacial, incluindo o regresso à Lua e a exploração de outros corpos do sistema solar.

Rodrigo Ventura, também docente do Técnico e investigador do ISR-Lisboa, chamou a atenção para o diferencial de investimento face a outras potências internacionais, introduzindo no debate a necessidade de reforçar a posição europeia neste domínio estratégico, em articulação com a investigação científica. A reflexão foi aprofundada por Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa e alumni do Técnico, que, num momento em que os conflitos armados regressaram ao centro da agenda internacional, defendeu a importância de uma visão clara sobre o papel da Europa nas áreas da inovação, da investigação e da ciência, sublinhando que a “Europa não é, nem pode ser, invisível” nesses domínios.

Fotogaleria.

Tópicos: