PICs – Projetos de fim de curso em Engenharia Aeroespacial mostram que estudantes do Técnico querem voar alto

Projetos Integradores de 1.º Ciclo são desenvolvidos perto da conclusão da Licenciatura, com finalistas a pôr em prática as aprendizagens que adquiriram durante o curso.

É o “PIC no TIC”, apelidam-no carinhosamente alguns. Referem-se aos Projetos Integradores de 1.º Ciclo (PIC) no Técnico Innovation Center powered by Fidelidade, desenvolvidos pelos estudantes da Licenciatura em Engenharia Aeroespacial do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa.

A apresentação deu-se a 23 de junho e representou um marco na conclusão do curso destes estudantes, agregando as competências que adquiriram nos últimos anos em torno da resolução de problemas reais, no âmbito da unidade curricular de Projeto Integrador de 1.º Ciclo. No evento, o espaço  recheou-se de estudantes finalistas, professores, pósteres científicos com os projetos desenvolvidos e representantes de empresas do setor aeroespacial (CEiiA, GeoSat e Beyond Gravity).

“O que vocês fizeram aqui é extraordinário”, afirmou Pedro Amaral. O vice-presidente do Técnico para a Interface Empresarial, Inovação e Empreendedorismo insistiu que desenvolver estes PICs “não é nenhuma brincadeira de crianças, nenhuma mera experimentação – vocês puseram realmente as mãos na massa e trabalharam a sério”. “Os estudantes”, acrescentou, “devem levar deste dia uma memória viva da qualidade e alegria com que isto se faz e do impacto que conseguimos ter dentro do Técnico – são vocês que fazem disto a matriz da Escola”.

O coordenador da Licenciatura em Engenharia Aeroespacial, João Melo de Sousa, descreveu o evento como o culminar do investimento, dedicação e empenho dos estudantes de Engenharia Aeroespacial, uma área “exigente e prestigiada”. Por esse motivo, para o docente, “estão todos de parabéns”.

Feitos os discursos de abertura, “the show must go on”, relembrou o docente da unidade curricular, Afzal Suleman, anunciando o início das apresentações dos PICs, não sem antes confidenciar que recebera “vários e-mails a sublinhar que a seleção joga[ria] uma partida do Mundial de futebol às 18h00” – essencial garantir a conclusão do evento de forma pontual, portanto, para assistir ao confronto entre lusos e uzbeques em solo norte-americano.

 Numa pausa para análise dos pósteres científicos espalhados pelo espaço, descrevendo em maior detalhe os projetos apresentados nessa tarde, a aluna Joana Pereira partilha que o seu grupo “queria juntar várias coisas que aprendera ao longo da licenciatura”, pelo que os PICs foram uma ajuda para “conceber algo a partir do zero” – “estou muito mais confiante para desenvolver ideias”, garantiu.

Rodrigo Gonçalves, a par de aluno do Técnico, é estudante da Força Aérea. Vê o PIC como uma mais-valia no seu percurso académico, uma vez que “no fim do curso, quando trabalhar nesta área, há muitas componentes práticas que serão imprescindíveis” e que teve oportunidade de treinar durante o desenvolvimento do projeto da sua equipa.

Feitas as apresentações, atribuídos os prémios (num valor de 1250 euros para cada grupo vencedor) e tiradas as últimas fotos aos participantes, a pontualidade na agenda do evento foi recompensada – o grande ecrã no palco começou a transmitir o confronto entre a seleção nacional e o Uzbequistão, justamente durante o lance que desembocou no primeiro dos cinco golos lusitanos da partida. Com um Técnico Innovation Center cheio a celebrar a concretização de Cristiano Ronaldo na pequena área do estádio de Houston, a coincidência quase parecia propositada – essa mesma cidade é um ponto-chave histórico para o controlo de missões da Agência Espacial Norte-Americana (NASA), dando a estes estudantes de Engenharia Aeroespacial uma nova alegria para associar à localidade texana que pôs o mundo de olhos postos no céu.

Fotogaleria.

Lista de PICs apresentados e vencedores

Categoria “Satélites”

Vencedores: Ocean Eye  Marés vermelhas e microplásticos – duas grandes ameaças à preservação dos oceanos. O satélite Ocean Eye deteta a assinatura química de algas invasoras e plásticos, permitindo uma intervenção mais rápida nos locais afetados por estas crises biológicas.

  • Membros da equipa vencedora – Francisco Silveira, Matilde Massa, Joaquim Menezes, Tomás Teixeira, Duarte Guerreiro, André Rodrigues, João Santos, Francisco Falcão e Carolina Araújo.

Anzol-01 – Satélite de 70x70x60 cm para captação e remoção de lixo espacial, de forma a proteger missões espaciais de colisões com esses detritos.

CoastSat-AI – Cubesat 26x26x23 cm equipado com inteligência artificial a bordo para interpretação dos dados recolhidos sobre a costa europeia, a costa ocidental canadiana, a costa ocidental sul-americana e a costa das Filipinas. Capta imagens de alta definição para rastreio destas regiões litorais, com o intuito de facilitar a conservação oceânica.

Satélite de Comunicação Terra-Marte – O período de conjunção solar Terra-Marte impede comunicações adequadas entre equipamentos nos dois planetas. Este satélite é proposto como solução para este problema, servindo de relay para as telecomunicações entre os dois corpos celestes.

Categoria “Lançadores de Satélites”

Vencedores: HERMES SOTER – E se astronautas ficassem presos na Estação Espacial Internacional devido a um problema nos equipamentos de regresso à Terra? Este sistema propõe um método alternativo de escape e reentrada na Terra, em caso de emergência.

  • Membros da equipa vencedora – Abhishek Arvindbhai, Beatriz Dinis, Maria Maia, Filipe Vieira, Dominique Pinhel, Joana Basso, Tomás Gonçalves, Diogo Cinturão e Miguel Gonçalves.

Missão Hades – Sistema de defesa anti-aérea contra aviões, drones e mísseis balísticos e de cruzeiro, com vista a desenvolver a autonomia de defesa nacional e europeia.

Esperança-I – Lançador para implementar em Santa Maria (território nacional) que coloca satélites a 800 km de altura, em órbita terrestre baixa.

Stardust – Lançador de satélites em órbita terrestre baixa que é, ele próprio, lançado a partir de um avião, evitando problemas associados ao lançamento de satélites a partir da superfície terrestre.

Categoria “Veículos Aéreos Não-Tripulados”

Vencedores: NEST – Procurando resolver falhas na rede móvel durante situações de catástrofe (com menção à tempestade Kristin), a NEST propõe um enxame de drones inteligentes capaz de fornecer cobertura de telecomunicações de emergência às áreas afetadas (para dar cobertura à área do distrito de Castelo Branco, bastariam 12 destes equipamentos, por exemplo).

  • Membros da equipa vencedora – Alexandre Marques, Ana Leonor Dias, Constança Caçador, Filipa Fernandes, José Bernardo, Mariana Patracôlo, Matilde Lourenço e Rafaela Alves.

Corvus-X8 – Drone para resposta rápida a emergências médicas, transportando um kit de primeiros socorros para auxílio a paragens cardiorrespiratórias, hemorragias ou choques anafiláticos, a ser usado pela pessoa que chamou os técnicos de emergência, enquanto aguardam a chegada destes profissionais.

Omniscan – Enxame de drones para missões humanitárias (deteção de minas, por exemplo), em detrimento de missões feitas apenas com uma aeronave, de forma a permitir uma maior flexibilidade de operações.

Sky Hunter – Drone de defesa para interseção e neutralização de drones de ataque, equipado com radar e câmara de infravermelhos, entre outros equipamentos para reconhecimento do ambiente.

Categoria “Mobilidade Aérea Urbana”

Vencedores: ModulAir – Aeronave modular e autónoma que pode servir de ambulância, de veículo para resgate com guincho, de transporte de carga ou de transporte de passageiros.

  • Membros da equipa vencedora – André Delgado, Catarina Calçada, César Correia, Dinis Costa, Diogo Dias, Francisco Peça, Gabriel Pinho e Mafalda Novais.

Island Hopper – Aeronave de seis rotores concebida para transporte rápido de pessoas entre as Ilhas Baleares espanholas (em particular, Maiorca, Menorca e Ibiza).

SkyMed – Aeronave para transporte de doentes urgentes, em substituição de helicópteros, com um total de 10 pás embutidas nas asas, preservando a segurança de paciente e pessoal médico durante aterragens e descolagens verticais.

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